E=mc²

A matéria é um estado da energia e a energia um estado da matéria... [sophie]

terça-feira, maio 23

Design Emotivo - Donald A. Norman

O livro “Emotional Design” de Donald Norman é muito divertido. Recheado de analogias, este livro retrata a maneira como o design afecta a usabilidade dos objectos com os quais interagimos todos os dias, da dificuldade de interacção com os objectos, o porquê desse dificuldade e aponta de que maneira estas situações de dificuldade podem ser ultrapassadas.

Ao utilizar a história das 3 chaleiras, Norman utiliza uma maneira engraçada para ilustrar a usabilidade de um objecto, ou a falta dele, e interagir isso com a estética e a funcionalidade.

Focando a atenção na falta de usabilidade dos objectos, Norman dá conhecimento de como o usuário reage naturalmente a desafios mecânicos de objectos com os quais interage pela primeira vez.

Um dos principais motivos do surgimento das dificuldades de interacção, surgem do facto de haver sempre uma tendência de racionalização dos acontecimentos e das experiências, criando modelos conceptuais de comportamento. Logo, daqui surge um problema se o modelo conceptual do designer difere do do utilizador. Se o designer não tiver em conta as necessidades ou expectativas do utilizador ou se mesmo tendo essa preocupação o projecto final não for de encontro ao que o usuário estaria à espera, este facto pode levar a que se criem resistências em relação a uma utilização repetido do objecto (físico ou digital), ou numa má utilização deste. Uma das vantagens de um modelo conceptual é a criação de um sistema que facilite ao utilizador prever o efeito das suas acções. Assim, a utilização dos objectos do dia-a-dia não terá de ser aprendida constantemente, interiorizando as acções similares – por exemplo, que para abrir uma porta é necessário rodar uma maçaneta, ou que para ligar um computador é necessário carregar no botão «power». Norman fala de «natural design» para se referir ao design que valoriza as propriedades naturais de uma pessoa na relação com o objecto, como forma de compreensão das características do objecto.

Não se pode esquecer de focar as três dimensões fulcrais para o design propostas por Norman – a visceral, a de comportamento e a reflectiva. Norman visa que a dimensão visceral diz respeito à aparência, enquanto que a de comportamento ao prazer e eficácia de uso e, por último, a reflectiva à racionalização e intelectualização de um produto. Estas são as três componentes que estão inerentes a qualquer design segundo Norman, conjugando a cognição e as emoções do produto de design.

Contudo, daqui nasce uma questão: O que é belo é usavél?
Fruto de emoções, a estética de um objecto, a sua atracção e beleza, conjugam-se para que o ser humano se sinta bem, confortável ao utilizar o objecto. Desta forma, a parte emocional tem um grande peso e contribuição para o entendimento das funcionalidades do objecto. O que se pretende explicar é que tem de haver um bom relacionamento entre as emoções e a cognição para que um objecto seja considerado usável.

Neste ponto, Norman refere-se às affordances, que se «refers to the perceived and actual properties of the thing, primarily those fundamental properties that determine just how the thing could possibly be used».

As affordances particularizam-se pelas características do objecto – o utilizador, mesmo sem conhecer o objecto, concebe uma ideia de como funciona, por exemplo, que um botão é para carregar.

Como forma de melhorar a interacção homem-objecto é importante ter em conta o feedback, a comunicação que retorna ao utilizador após a acção com o objecto. Esta informação é importante para que o utilizador consiga analisar o resultado efectivo em comparação com o objectivo de utilização.

Ao contrário de que Norman pensava inicialmente, os objectos mais atractivos são mais usáveis (ver experiência dos ATM). Como se pode verificar, ficou provado que um objecto mais atraente faz com que as pessoas se sintam bem e tirem o melhor partido do objecto em questão.

quinta-feira, março 30

Directivas de acessibilidade para idosos [versão 3.0]

Com o avançar da idade, as pessoas vão apresentando algumas dificuldades que não são por si só deficiências. Contudo, as guias de acessibilidade fundamentadas pela W3C podem muito bem ser aplicadas a estes casos, beneficiando as pessoas com capacidades limitadas.

As guias de acessibilidade

A W3C faz uma ressalva para os pontos de uma checklist, organizada pelas três prioridades, e que retrata as guias consideradas importantes para este caso particular.

Para pessoas com alguma deterioração visual, pode ser importante a aplicação da guia que retrata: o contraste entre as cores do fundo e do conteúdo (WCAG 1.0 Checkpoint 2.2), o texto definido em unidades relativas (WCAG 1.0 Checkpoint 3.4), a utilização de texto em vez de imagem (WCAG 1.0 Checkpoint 3.4) ou sobre a utilização de texto estático (WCAG 1.0 Checkpoints 7.2 e 7.3).

Caso as pessoas comecem a apresentar algumas dificuldades na utilização do rato, torna-se necessário facilitar a utilização do teclado (WCAG 1.0 Checkpoints 6.4, 9.1, 9.2, 9.3, 9.4 e 9.5).

Refere-se que este estudo desenvolvido por Márcia Barros de Sales e Walter de Abreu Cybis, da UFSC, se centra bastante nos princípios gerais de acessibilidade do W3C, apresentando-se em parte como um entrave ao desenvolvimento mais aprofundado dos items propostos na checklist.

Directivas de acessibilidade para idosos [versão 2.0]

No estudo desenvolvido por Márcia Barros de Sales e Walter de Abreu Cybis, da UFSC, foram apontadas várias complicações encontradas pelos utilizadores. Através destas dificuldades, os dois investigadores desenvolveram uma lista de análise quanto à acessibilidade nos sites. Contudo, tendo em conta os pormenores explicitados nas 14 directivas da W3C, a checklist de análise não preenche todos os requisitos necessários para avaliar correctamente a acessibilidade de um site.

Onde pára o futuro da Internet?

"Possibilidade de acesso, processo de conseguir igualdade de oportunidade em todas as esferas da sociedade" (ONU)

A Internet deve ser acessível a todos, como meio democrático de transmissão de informação. Caminha-se a passos largos para que os recursos computacionais estejam cada vez mais acessíveis a um maior número (e mais diversificado) de utilizadores.

Segundo Assumann, na sua obra “Reencantar a educação; rumo à sociedade aprendente” (1998:23), ao excluir indivíduos, seja por que meio for, mas neste caso através das novas tecnologias, pode-se estar a cair no que o autor chama de “crime de apartheid neuronal”. Argumenta o autor que ao não se proporcionar ecologias cognitivas propícias aos variados actores sociais, se pode cair no erro de estar, directa ou indirectamente, consciente ou inconscientemente, a ignorar alguns agentes, o que se assume como um factor de exclusão.

Através de uma ética fortemente fundamentada, as técnicas de comunicação de suporte digital na Internet poderão melhorar, mas dificilmente tal acontecerá. Para que isso fosse possível, era necessário mudar a maneira de pensar das pessoas, o que só acontece com o passar do tempo e nunca é uniforme.

segunda-feira, março 27

Directivas de acessibilidade para idosos [versão 1.0]

A acessibilidade na Web tem sido muito retratada em variados estudos e já muito foi desenvolvido. Nestes casos, a questão sobre a acessibilidade tem sido abordada para pessoas com deficiências, descurando um pouco as pessoas que não apresentam dados visívies de deficiência, mas que pela sua idade avançada e pelas dificuldades que este facto acarreta têm maiores dificuldades na utilização da Internet.

Neste âmbito, um grupo de estudiosos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveu um estudo que visa essencialmente os utilizadores idosos da Web, na tentativa de criar uma checklist capaz de abordar as questões de acessibilidade (tendo em conta as dificuldades encontradas por estes). A checklist final aborda várias questões importantes, mas não é muito aprofundada, tendo em conta o grau de profundidade das directivas de acessibilidade do W3C. Novas directivas podiam ser acrescentadas à checklist, assim como cada item desta lista poderia ser mais aprofundado. Uma análise cuidada quanto à checklist irá ser publicada num próximo post (versão 2.0).

É necessário ter em consideração que o grupo em análise era composto por apenas 10 pessoas, o que não dava grande margem de análise para um estudo mais eficaz. Outro senão deste estudo, diz respeito ao facto de o requerimento necessário para a escolha dos utilizadores idosos rondar o facto de terem ou não motivação para aprender a usar a Internet. Desta forma, apesar da grande relevância (já que são poucos os estudos desenvolvidos particularmente para utilizadores idosos), o estudo ficou aquém das expectativas, comparativamente com as directivas de acessibilidade da W3C.

quinta-feira, março 23

Testes com Utilizadores e Avaliação Heurística [versão 2.1]

0.6 Reconhecimento ao contrário de memorização

O utilizador não tem de se lembrar de funcionalidades ou informações específicas de cada parte do site. Todos os elementos necessários para a navegação, identificação e inserção de dados estão sempre visíveis e sempre presentes no site.

A utilização de cores e de campos distintos facilita o reconhecimento das várias funcionalidades do site. Este facto pode-se comprovar nos testes, uma vez que todos os utilizadores conseguiram identificar as várias opções disponíveis, como as dos vários menus, ou a função de pesquisa.

0.7 Flexibilidade e eficiência da utilização


A utilização de um sistema, seja deste ou de qualquer outro site, deve ser eficiente. Neste caso não tenho nada a apontar no USA Today.com. Os atalhos são iguais ao standardizados, e não há acções frequentes que necessitem de ser costumizadas. Os conteúdos mudam todos os dias e durante todo o dia, por isso não é necessário defenir um padro de navegação em determinadas matérias. O que um utilizador pode fazer é subcrever a newsletter do jornal e a partir daí escolher as matérias que quer receber todos os dias.

0.8 Estética e design minimalista

Como foi dito noutros pontos, as páginas do USA Today.com contêm muita informação condensada. As páginas tornam-se assim muito confusas, pelo que se devia dar ênfase a certas notícias e até ocultar algumas opções, condensando-as numa secção. Assim, tornava-se mais fácil para o utilizador identificar as informações relevantes para navegar no site e atingir os seus objectivos.

0.9 Ajudar os utilizadores a reconhecer, diagnosticar e recuperar de erros

Esta heurística mostra uma grande falha no site do jornal. Como foi se pode vrificar no teste com utilizadores, está em falta uma opção de retorno nas páginas. Por exemplo, um utilizador ao efectuar uma pesquisa e que por acaso se engane, só consegue ir para a página anterior através do botão de retroceder do browser e, ao fazê-lo, perde todas as informações que inseriu. Isto pode levar a que o utilizador desista de continuar a navegar no site, optando por outras alternativas.

1.0 Ajuda e documentação

O website do USA Today.com fornece apenas ajuda através de FAQs e só relativo a algumas funcionalidades e conteúdos. Um utilizador consegue obter assistência aos seus problemas através do preenchimento de um formulário a partir da página dos contactos “Contact Us”. Contudo, é sempre indiciado a visualizar a página das FAQs.

Como o site apresenta vários problemas de navegação, deveria ser colmatado por uma ajuda dinâmica e eficaz.

Testes com Utilizadores e Avaliação Heurística [versão 2.0]

Método não empírico de avaliação ao site do USA Today.com

0.1 Visibilidade

Os utilizadores ao navegarem no site vão obtendo feedback conforme as suas acções. Num site como o do USA Today.com (ou outro que tenha como principal objectivo difundir notícias) este facto é bastante importante. Além de manter o utilizador informado sobre o estado do sistema, também lhe indica se a informação está ou não a ser processada, levando a que o utilizador não perca muito tempo em indecisões. Salienta-se que o factor tempo é tido muito em conta no mundo do jornalismo. Desta forma, o site não “gela” perante as acções do cibernauta, apresentando feedback à navegabilidade do utilizador.

Este feedback é transmitido por vários meios – como a entrada dos menus e dos títulos das notícias em primeiro lugar, seguindo-se as imagens, como também da utilização do cursor do rato para indicar que a tarefa está a ser processada. Em algumas áreas do jornal online, como a secção de notícias da actualidade (“News”) e de economia (“Money”), por vezes, é apresentada uma página de publicidade ou um inquérito, antes do utilizador ser redireccionado para a página pretendida. No que pude comprovar, a publicidade era relativa a um produto de limpeza, e esta página só era apresentada durante alguns segundos, dando a possibilidade do utilizador poder clicar num link para ser reencaminhado para a sua página pedida. Por seu lado, no inquérito esta opção não é válida, pelo que o utilizador tem de responder a três perguntas caso queira continuar a ler o jornal. Este facto de páginas intermédias corta a linearidade da navegação, uma vez que o leitor não pode fugir nem sabe quando é que estas páginas vão surgir.

No caso do USA Today.com é dado feedback ao utilizador ao longo do percurso da sua navegação. Portanto, o leitor é informado se o sistema está ou não a processar a informação que o primeiro inseriu, fazendo com que o leitor não se sinta perdido nem perca a vontade de continuar a explorar o site, evitando que fique na expectativa do que está a acontecer. O facto de um pedido de uma página por parte do utilizador seja inter-cortado por uma página que o utilizador não pediu, pode levar a que o utilizado interprete esta acção como um erro do sistema e cancele o seu pedido.

0.2 O sistema e o mundo real


O site do USA Today.com está apresentado como a primeira página do jornal impresso, com uma zona para a reportagem do dia, os destaques para as notícias principais, assim como indicativos importantes do dia-a-dia e publicidade. A divisão por secções à partida torna a navegação mais intuitiva, aproximando o jornal electrónico ao impresso pela divisão em suplementos, cada um identificado por uma cor. Contudo, e como se pode comprovar com os testes a utilizadores, esta informação não está explícita, já que os utilizadores não conseguiram ligar uma matéria com as áreas fornecidas. Por outro lado, todas as páginas apresentam muita informação e muito concentrada, o que dificulta a navegação. Este facto torna-se muito confuso para que um utilizador consiga procurar informações específicas – a ordem não é natural porque a ordem de disposição é confusa, perdendo um fio condutor e uma lógica organizativa.

Neste caso, o USA Today.com contém muita informação, o que dificulta a gestão dos conteúdos. Com este factor presente, a organização que seria lógica por secções torna-se impraticável em alguns aspectos. As divisões são muitas e são várias as notícias que tocam mais que duas áreas. Logo, a procura de informação complica-se e um utilizador que não se sinta muito à vontade a navegar na Internet ou que não esteja habituado a visitar sites noticiosos do género, cedo se perde, dissipando-se a vontade de continuar a navegar.

Desta forma, pode-se dizer que o website do USA Today.com cria uma ligação com o mundo real ao aplicar o mesmo tipo de divisão temática que a versão impressa. O leitor habitual do jornal pode não ter grandes dificuldades de navegação, mas um navegador esporádico já encontra bastantes. Como ficou comprovado nos testes, o utilizador comum tem dificuldade em encontrar informações específicas de um determinado tema. Tendo em conta que uma boa ligação entre o sistema e o mundo real minimizam a necessidade de um conhecimento extra para utilizar o sistema, este website está bastante em falta para um utilizador comum, em parte pelo excesso de informação produzida pelo jornal.

0.3 Liberdade e controlo do utilizador

No que concerne a este princípio estabelecido por Nielson e Molich (1990), a usabilidade de um sistema passa também por definir a liberdade que é permitida ao utilizador ao navegar no site – se pode fazer o que quer quando quer.

Em termos de navegação, o utilizador tem liberdade de escolha entre as várias opções. Contudo, por vezes as suas opções são interrompidas por páginas de redireccionamento com publicidade e não há uma única página que permite o retrocesso através de uma opção na página. Caso o utilizador pretenda regressar a páginas anteriores só o pode fazer através do botão de retroceder do browser ou ao clicar nas opções do menu, indo para a página inicial de cada secção.

Este princípio não se verifica sequer na opção de pesquisa, já que ao errar numa procura o utilizador não pode voltar atrás e, ao fazê-lo através do browser, perde todas as informações que inseriu.

Como o erro é muito fácil de cometer numa página do USA Today.com, pois estão repletas de informação, tanto interna como externa, os aspectos de apoio ao utilizador tornam-se muito importantes. A falta destes demonstra uma lacuna grave na usabilidade do site.

0.4 Consistência e Standards

Os elementos de design são importantes factores para que o utilizador interiorize acções e que depois as consiga reproduzir em contextos diferentes mas com objectivos similares. No site do USA Today.com, os standards estão bem presentes e funcionam perfeitamente.

Ora, um utilizador ao clicar num determinado botão tem como princípio que vai para a àrea correspondente a esse botão e não para outra. Outro exemplo é o caso da publicidade estar separada da informação noticiosa, logo, o leitor sabe que ao clicar numa publicidade vai para uma página distinta das do jornal.

Assim sendo, há uma consistência visual e funcional em todo o site. Os utilizadores sabem que ao clicares num determinado campo são redireccionados para a página correspondente a esse campo. A página apresenta vários menus, meio de navegação já muito conhcido aos cibernautas, em parte por experiências anteriores.


0.5 Prevenção de erros


O website do USA Today.com condensa muita informação em cada página. Esta condensação leva a que o utilizador cometa erros facilmente. Um bom design deve ter em conta este facto e tentar evitar que os erros aconteçam.

Um bom exemplo do USA Today.com é a identificação de cada secção do jornal no menu por cores. Isto facilita a memorização, e um leitor que esteja habituado/familiarizado com a versão impressa facilmente se consegue movimentar no site. Contudo, como a informação chega a estar muito condensada, um utilizador pode enganar-se e confundir a informação visualizada. Por exemplo, pode confundir a informação noticiosa da publicidade. Outro exemplo é o caso dos menus. É apresentado um menu principal, com divisões por cores e áreas. Todavia, logo a seguir, há um outro menu não de áreas, mas de funcionalidades do site e do jornal (como o arquivo das notícias, os blogs, o dia em fotografias), ou seja, opções que não têm directamente a ver com a matéria noticiosa produzida.

Um utilizador ao cometer um erro pode facilmente cair em frustação e abandonar o site. Em primeiro lugar, porque ninguém gosta de cometer erros. Se os erros forem sucessivos o utilizador cedo se cansa do site. Em segundo lugar, porque ao cometer mais que um erro (ou um erro até, supondo que seja um utilizador surfista, que esteja a navegar no site por prazer, por exemplo), o cibernauta tem de aguentar o tempo de resposta do sistema, que será tanto maior, quanto mais lento for o processador do seu computador ou da sua ligação à Internet.

quarta-feira, março 22

Testes com Utilizadores e Avaliação Heurística [versão 1.1]

Teste empírico ao USA Today

Tendo em conta que o USA Today é um site noticioso, propôs-se a três utilizadores tentarem encontrar no menor tempo possível, com a menor quantidade de cliques, três notícias – uma sobre o tempo numa cidade norte-americana, New Jersey, outra sobre um produto específico, um computador Velocity Micro Vector e, por último, uma notícia sobre uma nova estratégia de marketing para ads na net inclinados para as mulheres.

Os utilizadores escolhidos têm idades entre os 21 e os 25 anos e são alunos do ensino superior. Os três têm um grande à-vontade na navegação na net, assim como com a língua inglesa, por isso à partida não se devia encontrar grandes entraves à navegação no site. Ora, é preciso ter em consideração que a navegação para estes utilizadores é já um pouco intuitiva e na maior parte das situações a procura de informações é preferencialmente realizada através de uma área de pesquisa.

É de referir que o tempo de latência na pesquisa das notícias foi contabilizado neste teste.

Tempo em New Jersey – convidativo ou nem por isso?




Para a primeira notícia era necessário dar um só clique. Bastava ir à secção de “Weather” (meteorologia), onde era apresentado um mapa interactivo e passando com o cursor do rato sobre a zona de New Jersey identificada, apareceria as temperaturas e estado do tempo numa zona distinta.



O primeiro utilizador, Pedro Nunes, tomou cerca de 30 segundos e dois cliques para chegar à informação requerida. Isto, porque no mapa dos Estados Unidos da América carregou na zona da cidade indo para uma página distinta.

A segunda utilizadora, Paula Oliveira, não conseguiu encontrar a informação pedida. Navegou durante dois minutos, culminando em erro. Esta utilizadora não se apercebeu que o mapa era interactivo e, como não sabia a localização geográfica de New Jersey, optou por procurar na área de pesquisa do tempo. A informação não foi redireccionada correctamente, que deu em erro. Contudo, nessa página a informação estava dividida alfabeticamente por cidades, mas a utilizadora não interpretou correctamente os dados fornecidos, o que levou a que não conseguisse terminar a tarefa proposta.

O último utilizador, Pedro Neves, chegou à informação em 30 segundos e dois cliques, uma vez que, como no primeiro caso, clicou no mapa interactivo, sendo redireccionado para a página de detalhes.

Daqui pode-se retirar que apesar da informação do tempo estar bem identificada na página inicial do USA Today, o modo de funcionamento do mapa interactivo dos Estados Unidos da América não está muito evidente. Também não está evidente a procura complementar de informação – seria necessária uma outra estrutura para a apresentação dos dados.

A "perdição" das novas tecnologias



A segunda tarefa proposta para a avaliação do site do USA Today foi relativa à procura da review de um computador – o Velocity Micro Vector. Das três noticias seleccionadas esta necessitava de um maior número de cliques – quatro. Na página inicial seria necessário ir à secção de tecnologia “Tech”, ir a notícias sobre produtos “Product News”, escolher a área de computadores “Computers” e de seguida seleccionar a notícia correspondente que estava identificada no início dessa página.

Nenhum dos utilizadores conseguiu terminar esta tarefa. Todos escolheram o modo de pesquisa “Search” para procurar a notícia, mas nenhum foi com sucesso. Em testes realizados por mim, somente inserindo o nome do artigo correctamente é que o artigo é procurado, caso contrário, o utilizador é enviado para uma lista de links externos sobre o computador. Foi isto que aconteceu aos três utilizadores. Isto é um caso grave, já que o intuito de uma página web é o de prender o leitor o mais tempo possível na sua página.

Uma outra dificuldade que o segundo utilizador demonstrou (Paula Oliveira) era que não sabia em que secção procurar o artigo sobre o computador. Este aspecto mostra que o excesso de suplementos pode não ser tão útil quanto se esperaria à partida.

O marketing escondido




A terceira tarefa proposta, como localização de uma notícia de uma estratégia de marketing, tal como a segunda, não foi bem sucedida por nenhum dos utilizadores. Os três desistiram após o primeiro erro. Para esta tarefa, eram necessários apenas dois cliques – um em “Money” e o segundo no artigo correspondente.

O primeiro utilizador (Pedro Nunes) não conseguiu identificar em que suplemento deveria procurar a notícia. Andou um pouco perdido no site, saltando de secção em secção, passando primeiro pelas “News”, depois pelas “Briefs”, terminando numa pesquisa através do “Search” que também não resultou.

O segundo utilizador (Paula Oliveira) foi um pouco distraído, uma vez que logo à partida foi directamente à página correcta, a de “Money”, mas não identificou o artigo. Após isto, perdeu-se um pouco no site, até que desistiu.

Por último, o terceiro utilizador (Pedro Neves) foi um pouco como o primeiro – primeiro procurou o artigo na secção de “News”, não encontrando nada passou para uma pesquisa através do “Search” do site, perdendo-se na página de resultados. Tal como na segunda tarefa, o artigo só era identificado directamente na pesquisa caso fosse inserido os termos correctos do título.

Lost in USA (Today)?

É de salientar que, através deste teste, se conclui que a divisão em secções se torna excessiva ou então, o USA Today deveria optar por atribuir nomes mais concretos a cada divisória. Por seu turno, a pesquisa que o site fornece não corresponde às expectativas do utilizador, não deixando de mencionar que o mapa também não é tão intuitivo como seria desejável.


Uma página web com tanto conteúdo disponível e tão condensado dificulta muito a navegação para um utilizador menos preparado, tornado a informação confusa. Isto notou-se no caso da utilizadora Paula Oliveira, que não conseguiu identificar na página de economia um artigo relacionado com marketing e a dificuldade encontrada pelos três na procura do artigo do computador.

terça-feira, março 21

Testes com Utilizadores e Avaliação Heurística [versão 1.0]

Objectivos

Para a realização deste teste foi considerado o website do USA Today. Os objectivos estudados neste teste empírico foram:
1. Obter informações sobre o estado do tempo no dia do teste para a região de New Jersey
2. Localizar um artigo sobre um computador, um Velocity Micro Vector
3. Encontrar um artigo sobre uma nova estratégia de marketing para publicidade na Internet direccionada para atingir as pessoas do sexo feminino

Metodologia

Para a realização deste teste foi utilizada a técnica de “Field Observation”, um método empírico de avaliação experimental. Este método consiste em observar um utilizador num ambiente natural, anotando os seus passos e procedimentos, assim como todas as reacções que se acharem pertinentes para a avaliação. O utilizador tem plena consciência durante todo o processo que está a ser observado e analisado, e que todos os seus passos e reacções estão a ser registadas e testadas.
Neste estudo foram analisados três utilizadores experientes da Internet, com idades compreendidas entre os 21 e os 25 anos. Foram-lhes requeridas três tarefas, que consistiam basicamente em localizar no site do USA Today três informações distintas. A análise efectuada debruçou-se sobre a facilidade de localização da informação (navegação no sistema e funcionalidades utilizadas), no tempo que levava a encontrar a informação e quantos cliques eram necessários para terminar as tarefas propostas. Todas as acções e reacções foram sendo registadas para facilitar uma análise posterior.

Métrica

A métrica utilizada para este trabalho foi:
1. Contabilizar o número de cliques necessário para concluir uma tarefa
2. Cronometrar o tempo que leva desde que se atribuiu a tarefa até esta ser concluída
3. Contabilizar as vezes que o utilizador errou, ou seja, a um número máximo de 5 cliques foi atribuído um erro, situação em que todos os utilizadores desistiram e não concluíram a tarefa.

Técnicas de registo


Para a realização deste teste empírico foi utilizada uma análise de protocolo, em que se observaram e se registaram as acções dos utilizadores numa tabela desenhada numa folha de papel.

Registo

Para a realização deste teste foi contabilizado o tempo de latência. A tabela 01 demonstra a análise efectuada, considerando apenas os dados objectivos da análise. Os dados complementares são fornecidos de seguida.


Tabela 01

quarta-feira, março 15

A usabilidade como energia II

Continuando a análise ao sistema SIGARRA, é muito importante focar a capacidade do sistema conseguir prevenir erros, ou seja, que a probabilidade de erro seja minimizada e caso os erros ocorram, possam ser fácil e rapidamente recuperáveis. Este não é o caso do SIGARRA. Aliás, esta plataforma não fornece qualquer tipo de apoio ao utilizador. Nem sequer um ficheiro de ajuda ou um mapa do site. Fornece apenas uma pequena e breve explicação sobre a estrutura e apresentação das páginas. Ora, graças a uma estrutura confusa, um utilizador não tão bem preparado ou mais distraído pode perder-se facilmente, ou inclusive, como me aconteceu a mim, preencher inquéritos e no login posterior ter uma chamada de atenção de como ainda não os tinha preenchido. Este erro podia ser facilmente evitado.

O feedback também é outro mal do SIGARRA. O utilizador não é acompanhado em todo o processo de navegação. O sistema deveria ser capaz de apreender as acções do utilizador e fornecer uma indicação sobre o resultado dessas acções. Contudo, o que se verifica é que o utilizador nem sequer é acompanhado em toda a sua navegação – o “caminho de migalhas” perde-se a meio, não fazendo a ponte entre a página inicial e a página final.

Um outro princípio indicado por Patrick W. Jordan tem a ver com a forma como a informação é disponibilizada, pois deve ser lida de uma forma simples e rápida e sem causar confusão. No SIGARRA a informação é apresentada numa estrutura bastante confusa, com botões tanto num menu no lado esquerdo, como num menu no lado direito, como no topo, como ainda no centro da página inicial. Este facto dificulta a organização e apreensão dos conteúdos da parte do utilizador. Este ponto está em muito ligado à prioridade que deve ser dada à funcionalidade e à informação.

Quanto à utilização apropriada da tecnologia, pode-se dizer que a resposta é afirmativa, na medida em que o SIGARRA cumpre as normas estabelecidas pelas prioridades 1, 2 e 3 da World Wide Web Consortium - Web Content Accessibility Guidelines 1.0. Assim se comprove que à uma preocupação para as necessidades especiais que o utilizador possa ter. Contudo, a estrutura das páginas leva a uma inconformidade com a interiorização da informação.

Norman (1988) refere-se às affordances como propriedades de um design que fornecem pistas de como o produto funciona. Contudo, o SIGARRA não consegue ser tão explícito como seria de esperar, já que é o sistema que integra a Universidade Pública do Porto, logo, deve estar apto a receber qualquer tipo de utilizadores, quer tenham necessidades especiais ou não.

Para além disto é importante referir que há um interesse crescente em adaptar as cores do site, não somente às cores relativas a cada faculdade, mas tendo em conta que vários utilizadores podem ter deficiências quanto à visão, nomeadamente quanto à distinção de cores. Esta atenção verifica-se principalmente no website relativo à Faculdade de Engenharia, mas está a ser adoptado pelas outras faculdades.

A usabilidade como energia I

Tendo em conta os trabalhos desenvolvidos por Nielson, assim como por Bruce Tognazzini e Patrick W. Jordan, são várias as heurísticas utilizadas para avaliar a usabilidade de um produto. Assim sendo, partirei para uma análise mais cuidada do sistema SIGARRA, relacionando os vários princípios para uma boa usabilidade com o que se pode encontrar e interagir na plataforma das faculdades da Universidade do Porto.

Um produto deve ser consistente, na medida em que operações similares têm modos similares de funcionamento. Este princípio minimiza o conhecimento do utilizador ao apreender e utilizar um produto, já que permite aos utilizadores generalizarem experiências anteriores. No SIGARRA pode-se notar que a consistência se vai perdendo quando se navega no site e comparando com o de outra faculdade. A coerência visual mantém-se, mas os menus não são consistentes a nível de conteúdo. Uma informação específica numa determinada faculdade não se encontra no mesmo sítio (ou de todo) no site de outra. Tome-se como exemplo o menu principal e compare-se entre as várias faculdades – no site da Faculdade de Economia tem-se a opção de “Órgãos de Gestão” enquanto que no site da Faculdade de Letras só se chega a essa opção após seleccionar uma primeira – “Serviços”.

A compatibilidade de um produto pressupõe que o modo de funcionamento é compatível com as expectativas dos utilizadores (apreendidas com a utilização de outros sistemas ou de experiências no mundo exterior). Contudo, a navegação no SIGARRA é muito incoerente. Não tem uma estrutura pensada a priori, aliás, mais parece que à medida em que a informação foi aumentando, se foi aproveitando o espaço em branco (vital para a página respirar) e colando-se “post-its”, sem seguir um estudo de arquitectura da informação. Para um novo utilizador é bastante complicado ordenar-se no meio de tanta informação disponibilizada logo na primeira página. Seria óptimo adoptar uma nova política de organização, em que as informações estariam condensadas numa determinada área e num determinado sector.

O SIGARRA como matéria

O desenvolvimento das novas tecnologias permitiu a criação de uma nova ideologia aplicada ao formato digital. Um computador não é só uma ferramenta para inserir e editar dados. É muito mais que isso. É todo um mundo de criação. O crescente interesse por esta tecnologia levou a que os produtos digitais se tornassem cada vez mais eficazes – na medida em que os utilizadores atingem os seus objectivos de uma forma mais simples e eficaz –, e mais eficientes – quanto aos recursos utilizados para atingir esses mesmos objectivos. Estes conceitos estão retratados na norma ISSO 9241-11, onde são esclarecidos os benefícios de analisar a usabilidade em termos do desempenho e satisfação do usuário. Ora, esta norma enfatiza o facto de que a usabilidade dos computadores depende do contexto de utilização e que o nível de usabilidade depende das circunstâncias específicas nas quais o produto é utilizado.

A plataforma SIGARRA foi criada pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com o intuito de servir de apoio aos professores dessa Faculdade. Contudo, esta plataforma foi vista como uma mais-valia para a Universidade e hoje serve todas as faculdades da Universidade. Nela pode-se encontrar várias informações, tanto destinadas aos professores como aos alunos. Mas será que a plataforma é realmente eficaz e eficiente? Será que preenche as necessidades dos utilizadores?