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A matéria é um estado da energia e a energia um estado da matéria... [sophie]

terça-feira, maio 23

Design Emotivo - Donald A. Norman

O livro “Emotional Design” de Donald Norman é muito divertido. Recheado de analogias, este livro retrata a maneira como o design afecta a usabilidade dos objectos com os quais interagimos todos os dias, da dificuldade de interacção com os objectos, o porquê desse dificuldade e aponta de que maneira estas situações de dificuldade podem ser ultrapassadas.

Ao utilizar a história das 3 chaleiras, Norman utiliza uma maneira engraçada para ilustrar a usabilidade de um objecto, ou a falta dele, e interagir isso com a estética e a funcionalidade.

Focando a atenção na falta de usabilidade dos objectos, Norman dá conhecimento de como o usuário reage naturalmente a desafios mecânicos de objectos com os quais interage pela primeira vez.

Um dos principais motivos do surgimento das dificuldades de interacção, surgem do facto de haver sempre uma tendência de racionalização dos acontecimentos e das experiências, criando modelos conceptuais de comportamento. Logo, daqui surge um problema se o modelo conceptual do designer difere do do utilizador. Se o designer não tiver em conta as necessidades ou expectativas do utilizador ou se mesmo tendo essa preocupação o projecto final não for de encontro ao que o usuário estaria à espera, este facto pode levar a que se criem resistências em relação a uma utilização repetido do objecto (físico ou digital), ou numa má utilização deste. Uma das vantagens de um modelo conceptual é a criação de um sistema que facilite ao utilizador prever o efeito das suas acções. Assim, a utilização dos objectos do dia-a-dia não terá de ser aprendida constantemente, interiorizando as acções similares – por exemplo, que para abrir uma porta é necessário rodar uma maçaneta, ou que para ligar um computador é necessário carregar no botão «power». Norman fala de «natural design» para se referir ao design que valoriza as propriedades naturais de uma pessoa na relação com o objecto, como forma de compreensão das características do objecto.

Não se pode esquecer de focar as três dimensões fulcrais para o design propostas por Norman – a visceral, a de comportamento e a reflectiva. Norman visa que a dimensão visceral diz respeito à aparência, enquanto que a de comportamento ao prazer e eficácia de uso e, por último, a reflectiva à racionalização e intelectualização de um produto. Estas são as três componentes que estão inerentes a qualquer design segundo Norman, conjugando a cognição e as emoções do produto de design.

Contudo, daqui nasce uma questão: O que é belo é usavél?
Fruto de emoções, a estética de um objecto, a sua atracção e beleza, conjugam-se para que o ser humano se sinta bem, confortável ao utilizar o objecto. Desta forma, a parte emocional tem um grande peso e contribuição para o entendimento das funcionalidades do objecto. O que se pretende explicar é que tem de haver um bom relacionamento entre as emoções e a cognição para que um objecto seja considerado usável.

Neste ponto, Norman refere-se às affordances, que se «refers to the perceived and actual properties of the thing, primarily those fundamental properties that determine just how the thing could possibly be used».

As affordances particularizam-se pelas características do objecto – o utilizador, mesmo sem conhecer o objecto, concebe uma ideia de como funciona, por exemplo, que um botão é para carregar.

Como forma de melhorar a interacção homem-objecto é importante ter em conta o feedback, a comunicação que retorna ao utilizador após a acção com o objecto. Esta informação é importante para que o utilizador consiga analisar o resultado efectivo em comparação com o objectivo de utilização.

Ao contrário de que Norman pensava inicialmente, os objectos mais atractivos são mais usáveis (ver experiência dos ATM). Como se pode verificar, ficou provado que um objecto mais atraente faz com que as pessoas se sintam bem e tirem o melhor partido do objecto em questão.